Crônica de aniversário
“Todos os dias quando acordo. Não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo…” (Legião Urbana).
É assim que começo. Legião Urbana? Pois é! A banda que cresci ouvindo é de gêmeos como eu, essa semana a banda completaria 30 anos se Renato não tivesse partido para a energia que o trouxe aqui. “Tempo perdido” define o tempo para um jovem transgressor como eu. Ainda ontem eu tinha todo tempo do mundo… Acreditava que poderia transformar alguma coisa… Que faria alguma diferença no mundo e os dias não passariam para mim. Ainda ontem me olhava com tanta força e me achava quase um herói… E os dias seguem e a gente descobre num programa de TV que a partir de certa idade não nossas células passam a morrer e que o processo de envelhecimento começou para você e então é inevitável a constatação: mesmo jovem, mesmo tão jovem, a juventude acabou para mim, a idade adulta entrou em minha vida. É hora de rever tantos conceitos e mudar velhos paradigmas. Olhar para os hábitos e compreender que o tempo não passa… O tempo não existe. É surreal. É abstrato e está no invisível das horas.
E claro algumas frustrações vão impregnando e temos que aprender a conviver com a cruel realidade das coisas, assombrado ou não por pessoas, nossos verdadeiros fantasmas. Tudo é tão sagrado que se torna pura introspecção emocional… Realidade! Sanidade! Nada fiz de heróico. Não salvei o mundo e nem vai dar tempo. Descobri que não sou tão forte e nem tão feliz assim e que transformar alguma coisa é quase impossível, por isso, só o posso fazer se for a mim mesmo.
Mudanças aconteceram e são continuas nessa vida sem tempo. Não tenho todo o tempo do mundo… Ainda sou jovem e nem tão jovem ainda… E hoje ficando um ano mais velho, percebo que, nada entendi até aqui. Só sei que cheguei, sobrevivendo entre acertos e erros, insanidade e transformações, remédios e bebidas, amores e desilusões… Não adianta eu querer ser diferente, posso fazer de uma forma mais minha, mas não diferente, porque, no final o roteiro vai se repetir. Sofrer para quê? Não aceitar algumas condições por quê? O problema é que somos pretensiosos demais, vaidosos demais, egos feridos demais… Hoje acordei pleno, sim, pleno… Com raciocínio bagunçado e sabendo menos de mim como nunca e pergunto: saber para quê? Viver. Sentir… Ser asa, ser trovão, a raposa e a maritaca. A estrela e o ser. O amor e o ódio, tempo e desespero. Triste e alegre. Caindo e se ralando, seguindo com cicatrizes, que bom, caí… Senti, vi sangue. Não tenho todo tempo do mundo. Nem toda força e nem a formula da juventude… O que tenho é a apenas a certeza de que não sou pra sempre. Comemorar mais um ano? Pra que? não estou comemorando mais um ano e a celebrando a possibilidade de mais um ano vivido de coisas e sensações para contar de um tempo que foi perdido, talvez, porém, proveitoso e que deixará saudade. Que venha mais um ano e as surpresas boas e ruins que a vida vai me proporcionar, como anjo caído, eu vou esperar. E tem como fugir?
1001 filmes para ver antes de morrer
Nunca me interessei muito por esse tipo de livro e vejo que o mercado está investindo super nisso. Vamos dizer as pessoas os filmes, músicas e lugares que elas precisam apreciar antes de morrer… Acho no mínimo irônico uma leitura que já na capa, no titulo – te lembra que um dia VOCÊ vai morrer. Mesmo assim, fui tomado pela curiosidade e abri para folhear o tal livro e até que me surpreendi. Vi muitos filmes que já assisti e outros que fiquei curioso para ver. Dentre os que já assisti e recomendo estão:
“Nosferatu, uma sinfonia do horror”. “a greve”, “ouro e maldição”, “o fantasma da ópera”, “em busca do ouro”, “Drácula”, “Casablanca”, “ser ou não ser”, “Forest Gump”, “sexo – mentira e vídeo tape”, “uma cilada para Roger Rabbit”, “Thelma e Louise”, “silencio dos inocentes”, “uma linda mulher”… Alguns que não vi e me despertaram a vontade de ver: “Harry e Sally – feitos um para o outro”, “tempo de glória”, “dança com lobos”, “Terra sem pão”, “ensina-me a viver”, “120 dias em Sodoma”, “feitiço da lua”, “os vivos e os mortos”, “as três noites de Eva”, “tempos modernos”… Agora preciso vasculhar as lojas da Rua Augusta e encontrar esses títulos, afinal, sou um colecionador de DVDs “ainda” em inicio de carreira. Pois é, o livro me persuadiu… Logo a mim que tenho pavor desses livros que nos ditam fórmulas prontas para alguma coisa.
Contudo, fiquei me perguntando o “porque” de alguns títulos estarem ali. Claro que entendi que estão lá por razões mercadológicas, mas, “Duro de matar”, “as Patricinhas de Beverly Hills” e outros filmes como esses estarem entre os ditos 1001 filmes para se ver antes de morrer é mesmo para matar! Não os encaro como filmes que podem acrescentar ao prelúdio da morte de alguém. O editor Steve Jay Schneider poderia reconsiderar algumas dessas obras do cinema, “a cor púrpura”, “agora e sempre”, “as filhas de Marvim” e “Tomates verdes fritos” não estavam na lista (ao menos eu não vi) e esses quatro títulos são sim, quatro obras-primas que merecem ser vistas por qualquer mortal. Ao menos pelos sensíveis.
Sonhos de plástico
Caos… A cidade está tomada. Poucos são destemidos suficientes para sair a ruas, mas é preciso, ficar trancado em casa por tempo indeterminado, não é plausível. O rapaz magro e alto, corajoso saiu de seu pequeno apartamento próximo a Avenida São João… A cidade parecia um pandemônio, pessoas escondidas, encolhidas nas calçadas, nos buracos escuros. As caçambas nunca foram tão aproveitadas, dessa vez, por entulho humano. O rapaz de pele branca e barba por fazer – anda pela escuridão azulada e sem iluminação das ruas. Aqui e ali a tampa de um bueiro é cuspida pelo fogo. Explosões… No submundo… No subterrâneo, explosões. Nos corações explosões de dor… Não há socorro, ninguém presta ajuda. Nada o que fazer há não ser andar por entre as sombras para não ser identificado.
Tudo tomado… Humanos no poder. Racionalidade pura por traz das estratégias. O rapaz anda e entende o desespero. Ele que sempre buscou a modernidade não gostou do que viu. Os bares estão vazios. Os hospitais cheios… Não há mais sol. A lua está caída. As estrelas ainda mais distantes. O amor é lenda. Choro. Desespero. Falta de esperança. Quase não há oxigênio entre um prédio e outro. A solidão, a carência reina nos apartamentos de pessoas individuais – individualismo. Desaprenderam a conviver. Não conseguem se envolver. Copulam quando o corpo pede.
O rapaz embasbacado percebeu que nesse mundo, no meio desse caos é necessário mais do que, coragem. É “preciso” covardia para; voltar para sua casa. E assim o fez. No seu apartamento de um quarto e banheiro ligou o computador “pessoal” e entrou na rede. E lá, ele conseguia ver um mundo maravilhoso. Sorrisos. Baladas. Pessoas dignas. Trabalhadores. Carros. Mares e viagens. Turmas de amigos. Tudo dentro do contexto, tudo dentro da rede. A vida linda no imaginário das pessoas. Sonhos de plástico… Ele então percebeu, que alguém ou alguma coisa precisaria ser feito para o cemitério lá fora… Entristeceu-se, pois, no mundo real não existem os super heróis.
Pessoalzinho
Foi lendo Goethe que cheguei a essa conclusão. Esse escritor é mais que um escritor, é poeta. Suas frases não são apenas frases e sim uma composição harmônica do todo. Ele escreve com uma classe pouco encontrada em seu tempo e nos dias de hoje. Existe um, porém, tudo o que ele escreve é maravilhoso, mas, porque é ele. Se fosse eu a escrever seu legado seria considerado: clichê, dramalhão, novela mexicana. Se tratando dele é puro conceito, ele pode, afinal já morreu…
Dia desses ouvi a musica “as quatro estações” da extinta dupla Sandy e Junior na voz de Marcelo Camelo… Uma preciosidade, que letra mais “gracinha”. A composição: Sandy e Álvaro Socci. Na voz dela só mais uma coisa que a cantora canta. Na voz dele uma super canção…
Charles Bukowiskc é a mais nova moda entre os “ditos” intelectuais (será que são? O que define um intelectual?), tem um pessoalzinho por ai fascinado por ele, gosto e já li algumas coisas e parece boçal a comparação, mas, ainda prefiro Plínio Marcos, acho mais verdadeiro e tão miserável quanto… Vamos dar fim à autenticidade. Vamos ao embalo para nos infiltrar nas rodas de bar e juntar nossa ignorância a mesma do pessoalzinho esse… Tsc, tsc, tsc… Por isso que recomendo para quem está de saco cheio, leia: Rê Bordosa.
Filipe Catto canta “garçom” uma musica profunda, que diz tanto sobre os nossos finais de relacionamentos amorosos que NOSSA! Que artista! Pois é na voz de Reginaldo Rossi é a mais brega das musicas… Vai entender o pessoalzinho.
Reconstrução
Não sei no que vai dar… Nem se conseguirei chegar até o fim do que me proponho. Talvez de um livro. Não sei, porque, diante de tanto pedantismo social e elíptico essa escrita tornaria a muitos olhos – auto-ajuda. Querem saber? Não me importo. Julguem-me. Há anos estou em busca de coisas que não sei… Resolvi descobrir as causas e quais as buscas de verdade e para isso, aproveito um momento muito difícil que atravesso. Vou usar esse espaço para escrever, e vou me expor. SIM. Sem medo, sem covardia.
Faz tempo que destruo muitas coisas, muitos sentimentos e amores em mim… Faz tempo que os dissabores têm feito parte de minha vida, porque, gosto do prazer dos sabores. Faz tempo que dificulto tudo.
Faz tempo que venho tentando descobrir como reconstruir… Se não sei quase nada de mim, como posso querer reconstruir? Não é reconstrução, a palavra ou fase e sim, de verdade construção. Construir sem medo ou trauma o que nunca me deixaram – o que nunca me permiti.
É um exercício pesado. Machucará minhas mãos suaves. Deixara-me com olheiras. Terei insônias. Angustias inexplicável, mas, contudo, muito raciocínio, o exercício dele. É hora de colocar o pé no chão e encontrar meu equilíbrio, mesmo, sendo uma inconstante verdade.
Para isso basta eu entrar nessa jornada sabendo: equilíbrio e caos vivem lado a lado, então, que eu aprenda essa complicada tarefa e se não conseguir terei experiência suficiente para entender e respeitar esse tempo, ou não.
52 dias é o que me proponho. 52 dias de observação e coisas que preciso fazer antes de recomeçar minha vida, e que começam a partir dessa segunda-feira. As mais importantes e que dizem respeito a mim. E quando eu estiver de verdade em mim. Vou me propor a outros 52 para resolver minhas pendências com as pessoas de minha vida. Começando… Acompanhem.
UM BEIJO BOM
Se eu pudesse escrever sobre você o que eu escreveria? Deveria eu perder esse tempo? E se eu dissesse que não? Como você reagiria? NÃO sei. E talvez nunca saiba. Por quê? Simples: no seu querer, mesmo não querendo, ainda faltava. De mim? Sim. Não me entreguei… Sabia que não devia… Nem assim, deixei de ser intenso. Tão, a ponto de te assustar.
Uma travessura definiria o que me permiti e que deixa hoje, saudade sim. Querer NÃO. Sinto frio, a noite está fria. Natural. Eu poderia escrever “quando eu quis você”… Não quis você, fui a fim. O caso é que aqui sou livre… E digo a você… Foi pouco demais. O suficiente quem sabe. Não tenho voz para continuar. Depois do que foi dito nada mudou. O que mudou foi à intensidade e sabor do valer à pena.
Seres humanos comuns se apaixonam e amam muito mais a idéia de estar apaixonado ou amando do que o ser pelo qual se apaixona ou ama. Nós? Seres diferentes… Amamos aquilo que nos ilude. Queremos o que não podemos ter. Prendemos-nos a ilusionismos criados por aqueles que entendem nossos mundos, apenas para seu prazer. Se eu pudesse escrever sobre você, não escreveria. Diria. O fato é que foi bom do jeito que foi sem mudar uma vírgula. A diferença é que entramos no processo de transformar o que restou, a amizade recíproca em reciprocidade constante e sem medos e traumas. Não te perdi… Porque afinal, não me encontrei. Que fique pra sempre, SIM, pra sempre o meu desejo de UM BEIJO BOM.
Meu momento
Só posso escrever… É apenas o que me resta, o que me sobra… Uma folha em branco. Um rascunho qualquer. Um pedaço de mim… Fico meio angustiado por não escrever positivismos e otimismos… Fico meio obliterado por não dar aos meus leitores, pensamentos prontos e afirmações a cerca dos clichês…
Pensar sobre eles é acima de tudo coragem de encarar o que é comum em nós. Ir contra o fluxo do senso comum é quase destrutivo. Não tenho medo. Só tenho de uma coisa nessa vida: eu mesmo. Essa minha intensidade me mata. Para me desculpar com você que me lê… E para dizer que não me importo tanto. Assim como você também não se importa tanto comigo. E para dividir que meu coraçãozinho está apertado. Tomei decisões precisas e significativas… Estou me preparando para entrar numa nova fase de vida e isso consiste em deixar o apartamento onde vivo na cidade em que vivo e que por tanto tempo amei.
Meus amigos acabaram de sair daqui… Tudo parecia velho. As palavras por dizer, o olhar deles sobre tudo o que vivemos aqui. A notícia confirmada abalou. Eles sentiram que sou outro e que isso vai fazer com que muitas coisas mudem inclusive nossa amizade e contato.
O olhar deles estava mais perdido do que o meu. Não fumamos… Não bebemos… Não nos arrumamos… Não badalamos… Não tinha o que fazer… Éramos nós… Sem planos, frios e ardentes de uma saudade que ainda não chegou.
E agora que se foram me vi… E depois de muito tempo, chorei de deixar as lagrimas correrem… É a vida me dizendo: Lucas chega de ilusões e mundos inventados. A idade se aproxima e é hora de colocar o pé no chão… Ela já fez isso outras vezes, dessa, eu não relutei. Abaixei a cabeça e disse: ok!
Já me retirei de cena algumas vezes, dessa vez, é do espetáculo que devo me retirar. E eu sei a hora de sair… Estou saindo desse espetáculo… Mas não me dei por vencido. Uma estrela, não deixa de brilhar. Para esse palco eu não volto mais. Mogi, cidade querida. Obrigado por tudo. Por cada lembrança e bons momentos que carregarei na bagagem.
Pela primeira vez vou me dar um tempo, um descanso e depois a grande SP que me aguarde. Estarei pronto para lutar e tentar não me tornar um corpo sem alma. Por que, intensidade em mim não vive, grita.
sábado
Não é vazio… É ausência… É pecado cometido. Permissão interrupta. Certa vez escrevi sobre a falta do que me falta e hoje não encontro nem essa falta.
O que tem pelos cantos da casa além do pó e das lembranças que mais uma vez, deixarei para traz… Sou esse ser de sonhos, que não transcendem. Não importam. Choro físico ajuda os fracos e o que cala, prejudica os covardes. Hoje é sábado e acordei olhando para o teto. Definitivamente não sei quem sou. Nem vi onde estou.
Não é vazio. É uma vontade insolente de estar ausente em mim. Suicídio é para fortes, corajosos. Não é pra mim, que apenas penso. Um dia da semana passada, pensei ao deitar: eu só queria não estar e não ser. Fechei as redes sociais que me aprisionam e sai de encontro ao inesperado. Vivi. Voltei e nada mudou…
Se tudo continua igual no que insisto em ser diferente. Não sou outro. Sou esse que acho ser, que procuro compreender e que se torna mais difícil a cada dia. Essa ausência é consciência. Sóbria. Sorte dos que desistem. Não condeno os que vivem em outras orbitas ou desistem de suas vidas. O que é vida? Isso? Se for, estou exausto.
Uma exaustão sem igual… Sinto cacos pelo chão. Verdades inventadas e manipuladas. Sei que o caos que se passa aqui é pouco compreendido até por quem diz compreender. Não sei sobre certezas, entendo sobre ausência.
Hoje eu descobri que gosto do cinza, eu sempre gostei, sempre fugi… Agora o vejo em mim. Talvez eu seja cinza. No que me diz faltar pouco para chegar no preto. O cinza é antes, ainda existe cor, o preto é justamente a ausência de todas elas. Por isso usada em velórios e enterros. Dentro dessa vida, tenho morrido um pouquinho por dia, só que com sorriso no rosto. Deprimido eu? Imagine, você que é alegre demais.







